Sempre vemos por aí livros e documentários que nos mostram o que fazer antes de morrer. Cem cidades para visitar antes de morrer, Mil filmes para ver antes de morrer, Cento e um livros para ler antes de morrer, e por aí vai. Mas eu nunca vi algo que nos falasse o que fazer antes de viver. Sei que existem milhões de títulos de livros por ai, e com certeza não conheço nem um milésimo do que já foi publicado nesse vasto mundo, mas mesmo assim tomei a ousadia (sim ousadia, afinal qual o conhecimento que eu tenho sobre livros, a não ser minha própria experiência com eles?) de fazer uma pequena lista de livros para ler antes de viver. É claro que gostaria de poder falar sobre todos os livros que marcaram minha vida, e consumiram minhas gostosas tardes na rede, mas resolvi escolher três. Podem não terem sido os que eu li com mais voracidade, ou os com os quais eu sonhava à noite com o livro aberto sobre o colo e os óculos ainda sobre os olhos fechados, mas com certeza cada um desses três livros marcou de uma forma especial.
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O Dia do Curinga foi algo completamente desconcertante para mim. Não me lembro muito bem da história, dos detalhes, mas isso pouco importa se o que o que for analizar sejam as sensações ao se ler esse livro. Era bem pequena ainda quando li, mas lembro perfeitamente de tudo que senti ao ler cada palavra do livro. A história envolvente fazia com que minha cabeça de criança se mantivesse atenta ao desenrolar do enredo, enquanto a mensagem trazida dentro dele, pouco a pouco se consolidava em minha mente infantil..
Tenho certeza de que se pegasse novamente o livro para uma releitura (coisa que pretendo fazer em breve) as sensações seriam completamente diferentes e perfeitamente iguais àquelas que eu tive ao ler pela primeira vez. Não sou a mesma pessoa que era anos atrás, ninguém é. Mas todos guardamos resquícios do que fomos, e do que fizemos. E se, de alguma forma eu mudei daquele tempo para cá, esse livro fez parte da mudança, e faz parte do que sou hoje, e ao lê-lo novamente, mudarei. Novamente.
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Os Catadores de Conchas foi o nome do trombolho que peguei na biblioteca da escola para ler durante o feriado prolongado. Bem não deu certo, aquelas primeiras páginas não convidavam a continuar lendo o livro. Talvez não fosse a hora certa de lê-lo, afinal cada livro tem seu momento na vida de uma pessoa. Mesmo assim aquele tijolo sempre atraia meus olhos e às vezes minhas mãos, quando ia visitar o acervo. E um belo dia eu tomei coragem e resolvi levá-lo para casa..
E que suprsesa. Nessa segunda tentativa as mais de mil páginas passaram suaves como folhas que caem das árvores em dias de outono. A história é, bem, estou sentada aqui há alguns minutos, olhando para a tela, tentando encontrar a palavra certa para descrever a história desse livro, nada. Totalmente desprovida de clichês, te faz preceber o livro em todos os sentidos. Envolvente e desnorteante, é um livro para ler e reler quantas vezes forem necessárias.
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A Cidade do Sol deveria ser vendido junto com um pacote de lenços, para os mais sensíveis com dois até. Não, eu não li "O Caçador de Pipas" para ficar ouvindo falar que os dois são iguais. Dos três presentes na minha lista, este foi o mais recente na minha leitura, e mesmo assim percebo uma grande distância entre o que fui ao ler e o que sou ao escrever agora.
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Definitivamente não é uma história alegre, intensa sim, alegre não. Não é aquele conto de fadas com que sonhamos quando pequenas, e que nos arranca suspiros profundos. Se tem algo que esse livro arranca, são lágrimas, até dos mais durões. Quanto aos manteigas derretida feito eu, preparem o balde, será choradeira em cada uma das páginas do livro. De felicidade ou tirsteza, não importa, de sentimento. Esse livro toca a alma, nos faz querer parar e pensar em tudo que tivemos, fizemos e vivemos. E nos faz querer mudar que vamos ter, fazer e viver. Realmente é um marco deifinitivo na vida do leitor.
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Bem, e por que eu considero que esses três livros tenham que ser lidos antes de viver, e não antes de morrer? Deixei bem claro que esses três livros são marcos na vida de qualquer um, mudam conceitos, visões, atitudes. E qual o intuito de mudar tudo isso antes de morrer? Não sabemos o que existe depois da morte, se existe alguma coisa, é claro. E como não sabemos, a única coisa que podemos fazer é não nos preocupar com isso, e sim com a vida, sabemos como ela é, o que existe em nós e ao nosso redor. Pois então digo que esses são livros para serem lidos antes de viver, para que as mudanças geradas por ele façam a diferença na vida do leitor, e aí sim, eles são de fato úteis.

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